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SPINOZA Machado de Assis Gosto de ver-te, grave e solitário, Sob o fundo de esquálida candeia, Nas mãos a ferramenta de operário, Na cabeça a coruscante idéia E enquanto o pensamento delineia Uma filosofia, o pão diário A tua mão a labutar granjeia E achas na independência o teu salário Soem cá fora agitações e lutas, Sibila o bafo aspérrimo do inverno, Tu trabalhas, tu pensas, tu executas Sóbrio, tranqüilo, desvelado e terno, A lei comum, e morres e transmutas O suado labor em prêmio eterno.
Escrito por Felipe Ucijara às 19h36
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...lembranças enchem a casa de um cheiro insuportável de dor... a lucidez encolhida num canto, doce, pertinaz e singela, se recusa a capitular... segue atentando... girando se é caso... tem o seu totem... o mundo e sua diversidade...
Escrito por Felipe Ucijara às 08h45
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"A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem" (Antonio Gramsci).
Escrito por Felipe Ucijara às 23h01
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DAIMINHADA Noite alta, magnífica, uma escada me conduz Ondulantes vestes brancas me engolfam Subo, resoluto. Alço as mãos para o céu, já não posso... A lua clara passa por sobre mim Estou sozinho no mundo, topo da escada Por um fio não despenho Na clara escuridão em que me vejo Já não quero voltar Mas não sei mesmo como subir...
Escrito por Felipe Ucijara às 12h21
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MEDITAÇÃO Meu sangue, usina inencontrável Meu amor, luta infinda de albores Minha esperança, cacto dos lugares.
Escrito por Felipe Ucijara às 12h05
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*** (Felipe) Portela me contando O verde abismado de uma lembrança Como posso ser eu mesmo? Possível o mesmo que me calo Num reflexo à toa. (Portela) Falo muito e digo pouco E mesmo assim, esse pouco É o muito que não consigo evitar Na beira dos abismos.
Escrito por Felipe Ucijara às 11h59
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VINHO DAS ALMAS Diferença galopante. Cada um é o que é. Tudo é uma questão de se deixar...
Escrito por Felipe Ucijara às 00h11
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SOBRE TIMIDEZ Outro dia, lendo um texto do Osvaldo Coggiola, História e contemporaneidade, me deparei com uma dessas passagens que repentinamente transformam nossa percepção usual das coisas. Lá se dizia que, em grego, thymos quer dizer “desejo de reconhecimento”. O autor falava de outras questões, mas por mim mesmo fiz a associação de thymos com a palavra tímido. Daí concluí, paradoxalmente, que o tímido é aquele que sofre de um forte desejo de reconhecimento, muita das vezes inconsciente, e que o desgosto que o tímido sente ao enfrentar situações sociais, é que quase nunca encontra pessoas dispostas a reconhecer devidamente as suas qualidades. A verdade é que quase nunca encontramos pessoas que reconheçam nossas qualidades, mas o tímido, por alguma disposição interior desconhecida, sofre mais com isso do que quem não é tímido. É uma teoria em elaboração. Quem souber de algo que se relacione com ela ou que a destrua muito simplesmente, favor me fazem se deixarem comentários.
Escrito por Felipe Ucijara às 12h52
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REMINISCÊNCIA DE BELÉM I Estou cansado mas fiel A cabeça erguida pelo sopro cálido Das minhas últimas quimeras Esperando o que virá e o que não virá II Não se pode libertar senão a si mesmo – Eis o que jaz inscrito anonimamente Na abóbada dos tempos. 05-06/04/09
Escrito por Felipe Ucijara às 10h48
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“O homem é um animal inconscientemente filosófico, que fez a si mesmo as perguntas da filosofia nos fatos, muito tempo antes de que a filosofia existisse como reflexão explícita; e é um animal poético, que forneceu no imaginário respostas a essas perguntas”. (CORNELIUS CASTORIADIS)
Escrito por Felipe Ucijara às 10h22
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DOM NIASTRO
Paz de um oco que em mim se quer pedra
Trânsito do desassossego
Meu ser que rola desde baixo
Inaugurando a criatura azul
Astro de divina perdição para os homens
Anúncio do mundo que sorria
Com sua cabeleira basta
E sua careta de desenho animado
Assombração alegre
Havia em ti umidez de azul
Perfeição das doenças
Tu eras isso
Teu sorriso, desvairado, inocente, vivaz
Ainda o tenho no meu cérebro
Que ao seu contato também ficou azul.
16/06/05
Escrito por Felipe Ucijara às 11h59
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“Os outros que decidam o quanto de lucidez sobre si mesmos suas posições lhes proporcionam; um revolucionário não pode estabelecer limites para seu desejo de lucidez”.
(CASTORIADIS, Cornelius. A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 112).
Escrito por Felipe Ucijara às 21h19
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“Na ética social existem duas frações: ou bem uma evolução na humanidade que é construída a partir da História e na qual se desenvolve a coerência da razão: teoria alemã do desenvolvimento; ou então a evolução é construída a partir da ciência biológica: teoria francesa e inglesa do desenvolvimento”.
DILTHEY, Wilhelm. Sistema da ética. São Paulo: Ícone, 1994, p. 31.
Escrito por Felipe Ucijara às 11h47
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TRAVESSIA
Caminhar sem nenhum desejo débil
a cegar-me os passos
Assim me queria nesta época
de desejos débeis
Já não há lirismo possível
Ou há?
O teu mole coração
Te recusa qualquer tentativa heróica
Tua boca, parada, respirando
No Dia de Finados
Diz que é realmente inútil
Mas não te conformas
Queres o ventre da noite
Por entre os carros, o sortilégio
Da compreensão poética
Talvez tenha passado
E tu procurando não viste
Oh noite abstrusa oh ensurdecedor
Ribombar de corações gelados!
Escrito por Felipe Ucijara às 15h37
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VARIÁVEL ALEATÓRIA
Não ter grandes ambições intelectuais...
A contingência, reverente e submissa,
Beija-lhe as mãos pesadas de vontade
Como se a ti fizesse o esperado favor
Mas te punges no silêncio comprido do carro
Ao modo de um denso sistema em seu eixo
A tua espada de experimentos se fana
E o teu sonho medonho acorda choroso.
Escrito por Felipe Ucijara às 17h13
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