SPINOZA Machado de Assis Gosto de ver-te, grave e solitário, Sob o fundo de esquálida candeia, Nas mãos a ferramenta de operário, Na cabeça a coruscante idéia E enquanto o pensamento delineia Uma filosofia, o pão diário A tua mão a labutar granjeia E achas na independência o teu salário Soem cá fora agitações e lutas, Sibila o bafo aspérrimo do inverno, Tu trabalhas, tu pensas, tu executas Sóbrio, tranqüilo, desvelado e terno, A lei comum, e morres e transmutas O suado labor em prêmio eterno.
Escrito por Felipe Ucijara às 19h36
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